Tinha prometido a mim mesmo não me manifestar sobre este assunto, uma vez que já foi tudo dito por ti e pelo Gouveia, mas face ao último post do Nuno aqui presente, sinto-me obrigado a partilhar também aqui algumas ideias.
Em primeiro lugar, quero louvar o teu último post, Nuno. Não tinhas obrigação nenhuma de te vires justificar, mas achaste bem fazê-lo e sinceramente congratulo-te, pois foste Homem suficiente para o fazer. Não sei se muitos fariam o que fizeste. Acredito que não foi a tua intenção “denegrir” os In Peccatum, mas essa é uma das ideias que a tua crónica faz passar, ainda mais quando falas em “mérito e justiça”. E sabes também que as pessoas nem sempre interpretam bem aquilo que escrevemos, mesmo que tenhamos as melhores intenções deste mundo. Eu bem sei disso e tu também.
Ainda em relação aos apoios posso contar-te que em 1999 pedimos um apoio à DRAC para a edição da nossa segunda demo “Just Like Tears…”, apoio este que nos foi concedido. Em 2002, para lançarmos o “Antília” e uma vez que não tínhamos muito dinheiro, pois como sabes, tocamos 90% das vezes de graça e nenhum de nós é rico (sim, ainda estamos a pagar ao banco alguns dos nossos instrumentos), tornamos a pedir à DRAC e recebemos um ofício negando-nos o apoio com a justificação “de que não era um projecto relevante para a região”. Assim curto e grosso, com a frieza de que falas no teu post. Epá, aceitamos a nega (que remédio) e fomos à procura de outros apoios, que felizmente provieram de outras entidades, senão o “Antília” só teria saído dois ou três anos depois (o selo da DRAC que vem na capa, foi só mesmo porque cresceu guito do primeiro apoio). Como também é sabido, começamos em 2007 a gravar o E.P. que vai sair pró mês que vem e tínhamos muito pouco dinheiro em caixa, dinheiro este que mal deu para pagar a entrada no estúdio. Assim e como sempre, em 2008 mandamos novo pedido de apoio à DRAC, apoio este que foi novamente negado. Paciência. Arregaçamos mangas, reescrevemos o dossier do nosso projecto, marcamos reuniões com várias entidades, públicas e privadas e ao fim de 8 meses de reuniões, pedidos de apoio e muitíssimos contactos, recebemos um telefonema da DRJ informando que o nosso pedido tinha sido aceite. Foram €4000, mas digo-te sinceramente, se tivesse sido ainda mais não me tinha chocado. Patrocinam tanto evento, porque não nós também? Se tivéssemos levado nega, iríamos pedir a outro lado. É assim mesmo. Aliás, basta olhar para os discos editados de bandas de cá, metal ou não, e a maioria deles teve apoio ou da DRAC ou da DRJ ou de entidades privadas… Essa é uma das vantagens que temos por viver nos Açores em relação ao continente. Existem esses apoios. É preciso é saber onde ir buscá-los, insistir e persistir que sempre chove qualquer coisa e sobretudo saber manusear as “ferramentas” que estão ao nosso alcance e ao de qualquer pessoa. Não andamos aqui a lamber botas. Não é, nem nunca foi o nosso hábito. Como bem sabes, tudo o que dizemos é sincero e sentido, se bem que essa sinceridade por vezes incomode as pessoas. Não tenho, por exemplo, pejo nenhum em dizer que apesar de não curtir nu-metal, reconhecer grande valor à tua banda, Stampkase. Grandes músicos (especialmente tu, que a par do Gualter, considero os 2 melhores drummers da casa) e grande atitude. E já me vieram dizer na cara que não tenho nada de dizer essas cenas, que se não curto essa onda não tenho nada de o dizer. Bem, este pequeno aparte é mesmo para que fique claro que sou assim mesmo. Não é para lamber botas, é o que penso mesmo. Voltando ao tópico, e como já disse o Gouveia, já começamos a trabalhar no sucessor do E.P. que ainda não saiu e posso adiantar que já começamos a pedir apoios. É começar já a amealhar, que o próximo projecto vai ser ainda maior. Se vai chover mais alguma coisa não sei, mas espero bem que sim.
Para finalizar, que isto já vai longo, espero MUITO SINCERAMENTE que também consigas apoios quer para os teus eventos (a malta agradece, traz cá os Dimmu Borgir

), bem como para as tuas bandas. E prepara-te que até receberes aquilo que queres ainda vais levar muito pontapé. Estamos aqui para alguma coisa que precises e
espero que este post encerre definitivamente este assunto. Como bem viste ontem no M.O.S. não guardamos nenhum ressentimento, cumprimentei-te na boa e a nossa atitude sempre foi e sempre será esta. Tal como tu, também não queremos estar mal com ninguém, muito menos num underground pequenito como o nosso, em que em vez de sermos solidários uns com os outros, gastamos mais tempo na maledicência.
Como diz o Spell, beijinhos para todos.